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Mobilidade urbana

A faixa exclusiva em Mangabeira e novas oportunidades para o comércio local

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Faixa exclusiva dos ônibus na Av. Joseja Taveira, antes da ação educativa realizada pela Semob

Na primeira semana do mês dedicado aos festejos juninos precisei ir à Avenida Josefa Taveira, popularmente conhecida como Principal de Mangabeira. No percurso, um fato me chamou atenção: um carro de propaganda convocava a população para um protesto, chamado pelos comerciantes locais, contra a implantação da faixa exclusiva de ônibus naquele trecho. Não pude acompanhar a caminhada que se formaria em frente ao Mercado do bairro, mas fiquei curiosa sobre o assunto.

A faixa exclusiva para ônibus começou a ser implantada em João Pessoa pela Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) no primeiro semestre de 2014 na Avenida Epitácio Pessoa, um dos principais corredores da capital paraibana. Porém, tal modificação no desenho urbano da cidade já vinha sendo delineada no Plano de Reestruturação do Transporte Coletivo de João Pessoa, projeto realizado em convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 2012.

Segundo a Prefeitura Municipal, a faixa exclusiva “trata-se de uma ação com alto impacto, tanto em termos de alterações urbanas e de uso e ocupação do solo como em termos de mobilidade. A adoção de faixas exclusivas para ônibus é de fundamental importância para conferir prioridade ao transporte público junto ao tráfego, já que este geralmente transporta mais pessoas. Também pode ser colocada como uma alternativa de equidade social, na qual a mobilidade é pensada tendo em vista as pessoas e não a quantidade de automóveis”.

No entanto, essa modificação do espaço urbano parece não ter agradado os comerciantes locais. Entre os argumentos dessa insatisfação está que a medida trará prejuízos ao comércio local, pois afastará, segundo eles, aqueles clientes que utilizam o automóvel em seus deslocamentos.

Tal argumento pode ser contrariado quando passamos a observar novas formas de ocupação do espaço urbano que desfavoreceram o fluxo de automóveis e passaram a privilegiar os pedestres em outras cidades do Brasil, para não citarmos a Europa.

O exemplo mais clássico é o da Avenida das Flores, em Curitiba, que desde a década de 1970 passou a ter circulação exclusiva para os pedestres. Essa modificação transformou o local em um dos principais pontos comerciais da cidade e é hoje cartão postal da capital paranaense.

Um outro conceito comercial que priorizou o pedestre foi implantado na cidade de Florianópolis. Em 2007, uma ação dos lojistas de uma das avenidas do centro da capital catarinense – Avenida Vidal Ramos – projetou a requalificação do espaço urbano da rua. Esse projeto, concluído em 2012, buscou implementar um novo conceito comercial: Shopping a Céu Aberto. Entre outras medidas estruturais, a requalificação visou a ampliação e reforma das calçadas e uma pavimentação onde o fluxo de veículos foi reduzido, tudo isso buscando atender melhor aos pedestres que frequentam diariamente o local. O projeto foi tão bem aceito pelos lojistas e população que a Câmara dos Dirigentes Lojistas em parceria com a Prefeitura Municipal e Sebrae, resolveram ampliar a iniciativa para outras ruas do centro da cidade.

Em São Paulo, a gestão do atual prefeito Fernando Haddad propôs um grande projeto de mobilidade urbana contemplando a construção de uma extensa malha cicloviária na capital. O projeto inicialmente gerou grande insatisfação de comerciantes nas áreas onde as ciclovias passariam, pois reduziriam a quantidade de espaço para estacionamento. Hoje, após a implementação da famosa “ciclovia da Paulista”, muitos reconhecem que os novos clientes, os ciclistas, trouxeram benefícios ao comércio, aumentando seu faturamento. O depoimento dos lojistas, satisfeitos com a nova clientela, pode ser conferido em vídeos produzidos pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade). Outro material produzido pela entidade, o Manual Bicicleta e Comércio, apresenta dicas para os comerciantes se tornarem “amigos da bicicleta”, além de expor o reconhecimento de que a nova ocupação do espaço urbano trouxe benefícios aos seus negócios, pois “quem gasta dinheiro são pessoas e não os carros”.

Com isso, voltemos a pensar na faixa exclusiva do ônibus em Mangabeira. Sua implantação visa melhorar o fluxo do transporte coletivo, que em média transporta 50 vezes mais pessoas que um único automóvel. Com soluções de sucesso que privilegiaram o pedestre em detrimento do automóvel, não haveria fundamento, portanto, a insatisfação levantada pelos lojistas de Mangabeira. Mais pessoas em circulação será um ponto positivo para o comércio na região.

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