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Mobilidade urbana

Redução de horário da ciclofaixa de lazer em JP completa 1 ano

Em fevereiro de 2016, a Prefeitura de João Pessoa anunciava a redução de horário da ciclofaixa de lazer. Na época, a medida visava economizar os gastos com a estrutura e se sustentou no argumento de que o fluxo de ciclistas era muito baixo no período da tarde, o que justificaria a decisão. A ciclofaixa, que funcionava por 9 horas, passou a funcionar por 6 horas, passando a ser removida às 13 horas da tarde.

Ao longo da sua história, a forma como a ciclofaixa de lazer vem sendo administrada se demonstra bastante vulnerável. Já publicamos um texto, também na época, alertando a respeito da sobrevida da nossa ciclofaixa de lazer. A principal crítica foi em relação às ainda recorrentes suspensões da estrutura, onde, diante de qualquer anormalidade no calendário, a Prefeitura decide não montar a ciclofaixa.

Passado um ano da lamentável redução de horário da ciclofaixa de lazer, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa nos informa que os custos relacionados à montagem da estrutura em 2016 permaneceram idênticos aos de 2015, quando a ciclofaixa funcionava até às 16 horas. Observe na imagem abaixo os gastos anuais desde que a ciclofaixa foi implementada em 2013:

grafico-custos-anuais-com-ciclofaixa-de-lazer-joao-pessoa

Diante dessa informação, restam várias interrogações. Uma delas é: se os custos com a ciclofaixa permaneceram os mesmos, qual motivo justificaria a comprometedora redução de horário?

O investimento médio mensal de 2.500 reais para a materialização de uma ciclofaixa dominical de lazer é tremendamente irrisório diante dos benefícios proporcionados por ela.

Adesão do público

A principal justificativa usada pela Semob-JP para respaldar a decisão em reduzir o horário da ciclofaixa de lazer foi a baixa adesão do público ao equipamento no período da tarde. Na época, a Prefeitura informou que havia sido realizado um estudo (por meio de câmeras de monitoramento) para comprovar a informação, mas nunca divulgou esse material. Apenas recentemente, quando solicitamos o estudo via Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), o órgão nos enviou o documento referente à Pesquisa Volumétrica de Contagem de Veículos, realizada pela Diretoria de Operações da Semob-JP em 2 de agosto de 2015.

O gráfico abaixo mostra a quantidade de bicicletas registradas por hora durante a pesquisa:

grafico-pesquisa-volumetrica-de-contagem-de-veiculos-semob-jp-bicicletas-ciclofaixa-de-lazer

Ao invés de tentar investigar os motivos que levam a uma menor adesão do público durante a tarde, a Prefeitura resolve tomar a equivocada decisão de suprimir o horário de funcionamento da ciclofaixa, restringindo as possibilidades de melhorar o equipamento. Medidas como ampliação da estrutura, permitindo que a extensão da ciclofaixa alcance novas áreas da cidade, são capazes de aumentar significativamente a acessibilidade da população ao equipamento, bem como sua maior utilização.

Escopo original

É muito importante lembrar que a proposta inicial da ciclofaixa de lazer era muito mais fascinante do que a atual. O projeto original incluía diversas apresentações culturais, três pontos de apoio instalados em locais estratégicos ao longo do percurso, com serviços de enfermagem, ambulância e borracharia. A verdade é que todo esse aparato nunca chegou a ser disponibilizado de forma plena, ficando restrito praticamente ao mês inaugural.

Ciclovia na Beira Rio substitui a ciclofaixa de lazer?

Com a conclusão da obra da ciclovia na Av. Beira Rio, prevista para o final deste ano e que conectará o Novo Parque da Lagoa à Praia do Cabo Branco, parte da população ainda se questiona se a ciclofaixa de lazer na Av. Epitácio Pessoa será mantida. A falta de clareza da Semob-JP sobre o assunto faz com que a população permaneça sem compreender qual o real posicionamento da gestão sobre o assunto, conforme comprova enquete realizada pelo Cidade Bike no Facebook.

Recentemente, a Prefeitura Municipal de João Pessoa publicou matéria afirmando que a ciclofaixa será mantida e que o superintendente Carlos Batinga nunca havia falado a respeito do seu cancelamento. “Ressalta-se que em nenhum momento o superintendente, Carlos Batinga, informou ou divulgou através das redes sociais que a ciclofaixa de lazer, que reserva um espaço específico para os ciclistas, seria suspensa ou cancelada. Ou seja, a informação sobre a desativação da ciclofaixa de lazer é inverídica”, diz na matéria publicada no último dia 2 de fevereiro.

Entretanto, em notícia publicada pelo WSCOM ano passado – e compartilhada pelo próprio superintendente Carlos Batinga em sua página no Facebook – está sendo afirmado que a ciclofaixa sofrerá desativação após o término da ciclovia na Av. Beira Rio. Em entrevista à CBN, Carlos Batinga também confirmou isso. Confira o trecho no áudio abaixo:

De todo modo, é muito importante ressaltar que a ciclovia na Av. Beira Rio não elimina a importância da ciclofaixa de lazer na Av. Epitácio Pessoa. Estamos falando de uma estrutura capaz de inserir a bicicleta na paisagem urbana, fundamental para começarmos a construir uma relação mais amigável da bicicleta com a cidade. Ela também é um espaço amplamente democrático: não precisa pagar para usar e pode ser frequentada por pessoas de diferentes classes sociais e idades. Portanto, a intenção de uma ciclofaixa de lazer não é apenas ligar ponto A ao B.

Havendo comprometimento da gestão pública, a ciclofaixa de lazer poderá ser um ponto de partida para mudar a mentalidade dos pessoenses com relação à bicicleta, semeando algo que poderá render bons frutos para a cidade num futuro próximo.

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