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Motorista de ônibus atropela e mata ciclista em Mangabeira

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Nesta segunda (29) mais um ciclista foi atropelado e morto por um motorista de ônibus em João Pessoa. Dessa vez aconteceu na Avenida Josefa Taveira, principal do bairro de Mangabeira, quando o ciclista Orlando Tobias da Rocha, de 73 anos, foi surpreendido por um ônibus que, fechando-o de maneira irresponsável, fez com que o idoso fosse derrubado e, preso na roda traseira do ônibus, arrastado por alguns metros. Ele ainda foi socorrido para o Hospital de Trauma, mas já chegou sem vida. O ciclista, que pedalava há mais de 40 anos, deixou esposa, 3 filhos e 6 netos.

A faixa exclusiva de ônibus foi instalada recentemente na avenida e sofreu fortes críticas dos comerciantes locais, sob a alegação de que a iniciativa traria prejuízo para os negócios. Já explicamos, em outro artigo, de que forma a faixa exclusiva representa oportunidades reais para o comércio da região. O atropelamento reacendeu as equivocadas queixas nos comerciantes que, de modo equivocado, estão atribuindo a morte do ciclista à faixa exclusiva.

Não foi a faixa exclusiva de ônibus que matou Seu Orlando. Nem foi o ônibus, propriamente dito. Centenas de motoristas em João Pessoa, de ônibus ou não, transgridem regras de trânsito que deveriam ser cumpridas a qualquer custo, como forma de garantir a segurança dos menores. O artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro é suficientemente claro ao estabelecer que todo motorista deve manter uma distância mínima de 1,5 metro ao ultrapassar um ciclista. Ainda no CTB, em seu artigo 220, é considerada infração grave deixar de reduzir a velocidade do veículo ao ultrapassar um ciclista. São dois comportamentos básicos – e fáceis de serem obedecidos – que garantem a preservação da vida daqueles que se locomovem de bicicleta pela cidade. Infelizmente, o que presenciamos nas ruas de João Pessoa está longe disso. O motorista que matou Seu Orlando não obedeceu essas regras. A morte dele poderia ter sido evitada e, por causa disso, usar o termo “acidente” para designar o ocorrido é um erro ridículo.

O desrespeito de motoristas de ônibus para com ciclistas é uma situação tão corriqueira que, há alguns meses, o Cidade Bike criou e lançou um espaço próprio para facilitar denúncias do tipo. Cada denúncia recebida é encaminhada imediatamente para o departamento responsável na Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP).

A legislação brasileira é bastante clara ao garantir o direito do uso das vias para quem se transporta numa bicicleta e igualmente clara ao estabelecer a prioridade de ciclistas e pedestres sobre os transportes motorizados.

Para Yebá Ngoamãn, que também utiliza a bicicleta como transporte em João Pessoa, Seu Orlando “foi morto pelo longo processo de omissão dos poderes públicos, que privilegiam apenas o transporte motorizado, escanteando ciclistas e pedestres à sarjeta; e por uma população que, por estar dentro de um confortável automóvel, se sente superior e no direito de acelerar fora dos limites legais e seguros”.

Fica óbvio que há uma comprovada negligência do poder público na causa, que não estabelece políticas que garantam a segurança das pessoas. Falta-lhe o cumprimento da Lei Federal 12.587/2012, onde está determinado que os gestores devem privilegiar o uso seguro dos transportes não motorizados ao tempo que devem desestimular o uso de automóveis.

A indignação suscitada com a morte do ciclista desencadeou uma série de críticas à Prefeitura de João Pessoa. Uma delas, publicada pelo movimento João Pessoa Que Queremos, expõe o controverso evento ciclístico semanal assinado pela Semob-JP. O grupo também denuncia a inexistência de políticas públicas de mobilidade urbana voltadas, de fato, ao uso da bicicleta como meio de transporte e o equívoco da Semob ao demandar esforços em algo que não é da sua competência. Para entender melhor, confira o texto na íntegra:

Enquanto a gestão municipal não assumir suas responsabilidades com afinco, continuaremos condenados a conviver com trágicas notícias desse tipo. Quem há de negar que falta implementação de políticas públicas? Que falta investimento real em campanhas efetivas de educação no trânsito? Que falta, simplesmente, maior rigor na fiscalização para os motoristas que desrespeitam os ciclistas? A infeliz situação é muito óbvia.

Protesto acontecerá na próxima sexta (2 de setembro)

O movimento Massa Crítica conduzirá uma manifestação pela morte de Orlando Tobias, reivindicando mais respeito e segurança no trânsito para aqueles que utilizam a bicicleta como meio de transporte. Por meio de página no Facebook, o grupo convoca a participação dos pessoenses. A concentração iniciará na Praça da Paz, no bairro dos Bancários, a partir das 18h00. Em comboio, os ciclistas seguirão até o local do atropelamento com faixas e cartazes. No ato, uma ghost bike (bicicleta pintada de branco) será instalada no local como memorial a Seu Orlando e em protesto contra a violência sofrida pelos ciclistas no trânsito.

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