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Mulher

João Pessoa, uma cidade com poucas mulheres de bicicleta

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Livânia Pereira se locomove de bicicleta pelo bairro da Torre mas tem medo de ir mais longe por se sentir insegura.

É fácil perceber nas ruas das cidades brasileiras que há poucas mulheres que usam a bicicleta como meio de transporte. Em João Pessoa não é diferente: pesquisa feita com ciclistas em 2013 em nove ruas importantes da cidade* apontou que menos de 10% dos ciclistas entrevistados eram mulheres**. Há uma grande diferença entre os pontos de pesquisa, como pode ser visto no gráfico abaixo:

A maior representatividade de mulheres se dá na orla, 28%, mas é devido ao número de pessoas que usam a bicicleta como lazer, sendo muitas no horário em que a via está fechada para os veículos motorizados. O segundo ponto de pesquisa com maior número de mulheres é na ciclofaixa de Mangabeira, na Rua Luiz Alberto Coutinho, demonstrando que quando há algum tipo de infraestrutura para o ciclista, há mais mulheres pedalando. Interessante perceber a presença de mulheres pedalando na Avenida Tancredo Neves, ponto onde a grande maioria dos ciclistas utiliza a bicicleta como transporte e onde foi registrado o menor tempo médio de viagem. Muitas dessas pessoas moram na região de Mandacaru e trabalham na região da praia, a forma mais prática, simples e barata de se locomover nesse caso é de bicicleta.

Apesar dos números, mesmo que os valores em algumas ruas sejam maiores, a presença de mulheres ainda não é expressiva. Em cinco dos nove pontos de pesquisa, a porcentagem de mulheres mal chega a 5%, principalmente nas áreas mais periféricas da cidade.

Fazendo um paralelo com estudos sobre cidades para pessoas, esse dado não espanta. O renomado arquiteto dinamarquês Jan Gehl em seu livro Cidades para Pessoas mostra como espaços públicos de qualidade atraem mais mulheres e crianças. Mulheres são mais seletivas que homens na escolha dos espaços. No caso das nossas ruas, se o desenho urbano não estiver bem projetado e causar insegurança, as mulheres evitarão frequenta-lo. Não é à toa que em países onde a cultura da bicicleta é forte, como por exemplo a Holanda, a porcentagem de mulheres que usam a bicicleta é maior que a de homens (ainda que a divisão fique próximo dos 50%). Nesses países, a qualidade do espaço público é admirável, e eles sabem que à medida que melhoram as condições para os ciclistas, surge uma nova cultura da bicicleta.

*A pesquisa em questão foi feita pela Semob no ano de 2013, no entanto ela não foi disponibilizada publicamente. A autora tem esses dados porque trabalhou na Semob na época e atuou na coordenação da pesquisa.

**Esse é o número de mulheres que foram entrevistadas, não houve contagem da proporção de mulheres, e se houvesse, provavelmente o número seria menor.

2 Comentários

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