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Mobilidade urbana

É esse o modelo de cidade que queremos?

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Dona Maria do Carmo, 55 anos, todos os dias caminha quatro quilômetros do seu local de trabalho, no Bairro Cristo Redentor, até o girador de acesso ao Bairro Cuiá, onde espera o ônibus 118 da Empresa São Jorge que a levará até Cruz das Armas, bairro onde reside. Para cumprir seu percurso, precisa atravessar as seis faixas de tráfego da Avenida Hilton Souto Maior, nas proximidades do viaduto do Cristo Redentor. O fluxo de automóveis é intenso e agressivo. Não há passarela ou faixa de pedestres. Dona Maria espera, espera, calcula, e no instante certo inicia sua travessia pela larga avenida com toda a velocidade que suas cansadas pernas ainda lhe permitem. Às vezes, aquele instante não é bem calculado. O automóvel vem rápido demais. Ouve-se a buzinada educativa: Dona Maria, aqui não é seu lugar.

Tereza Araújo, 56 anos. Trabalha no Bairro Cristo Redentor, e mora próximo ao call center AeC, no José Américo de Almeida. No seu trajeto para o trabalho passa por uma longa calçada na Avenida Hilton Souto Maior. Calçada não é bem o termo mais apropriado para aquele espaço. O piso é de barro com areia e os buracos, aclives e declives transformam o caminhar numa aventura de trilha rústica. Tereza conta que, há pouco tempo, a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) realizou uma intervenção na avenida para tapar um buraco na pista. Para não afunilar o fluxo dos automóveis, os operários puseram parte do maquinário no caminho dos pedestres, forçando-os a dar a volta pela pista de rolamento. Nesse procedimento, havia uma mensagem tácita que, para Tereza, se revelou da seguinte forma: entre o pedestre e o automóvel, o automóvel.

Jaime de Oliveira, 25 anos, ciclista. Usa a bicicleta para ir ao trabalho na sede da Polícia Rodoviária Federal, Cristo. Em seu trajeto diário até o Geisel, sobe o canteiro central às margens do viaduto do Cristo Redentor, desce para cruzar a Avenida Hilton Souto Maior, sobe o canteiro central da margem oposta e desce novamente para seguir pedalando pela Rua Diógenes Chianca. Os canteiros são altos e de difícil acesso, mas Jaime diz não ter alternativa. Não há ciclovias ou ciclofaixas em seu itinerário até o Geisel. Após o CAM, as vias se estreitam e os automóveis começam a passar muito próximo. Jaime gosta de bicicleta mas quer comprar um carro. Enfrentar congestionamento, segundo ele, é melhor que arriscar a vida.

Os três relatos são reais e, infelizmente, não são histórias isoladas. Todos os dias, muitas Marias, Terezas e Jaimes põem suas vidas em risco cruzando as vias da nossa cidade, que há muito tempo vem construindo sua estrutura de mobilidade focada prioritariamente no automóvel. Isso criou uma cultura perniciosa que coloca o carro como o dono das vias, dos caminhos da cidade. Não é. Ou, ao menos, não deveria ser. As pessoas são as verdadeiras donas dos caminhos da cidade. Esse deve ser o foco. Os pedestres não são invasores dos espaços públicos onde trafegam automóveis e devem ter total prioridade em sua ocupação. Entre o pedestre e o automóvel, o pedestre sempre. Na mesma linha: entre o ciclista e o automóvel, o ciclista sempre.

A realidade de Dona Maria, Tereza e Jaime acontece em um espaço da cidade que, em 2013, recebeu da Prefeitura Municipal uma significante reformulação de trânsito: o canteiro central foi estreitado para dar lugar a outra faixa de tráfego, eliminando parte da ciclovia ali existente. Acessos foram criados, ruas foram alargadas e asfaltadas. Em nenhuma parte do discurso, projeto e implementação da obra, os pedestres e ciclistas tiveram lugar. Hoje, naquele espaço, temos a crescente alternância entre congestionamentos, agressividade dos automóveis e desprezo por quem, por escolha ou necessidade, não se locomove motorizado.

Carros, engarrafamentos, avenidas, viadutos. Mais carros, mais engarrafamentos, mais avenidas, mais viadutos. Menos pessoas. É esse o modelo de cidade que queremos?

1 Comentário

1 Comentário

  1. Ana Cristina

    6 de julho de 2016 at 18:36

    Fotos excelentes!!

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