Assine o Cidade Bike no Youtube!
Negócios

Food vs Bike

food-vs-bike

Pneus como que saídos da fábrica, pintura irretocável, selim e manoplas intocadas. Poderia ser o anúncio de uma loja de bicicletas, mas não é. A bicicleta adaptada para venda de alimentos – ou, como queiram, “food bike” – é transportada por um reboque ou “transbike” acoplado a um automóvel e, sem tocar o chão ou sentir o esforço de uma pedalada, vai direto para um ambiente público que é transformado em ponto de venda para alimentos prontos, na maioria das vezes doces ou lanches.

Na onda dos food trucks que vieram da América do Norte, onde, mesmo possuindo vasta oferta de fast food produzido em vãs, os negócios móveis ganharam novos contornos com o apelo da “gourmetização” num pano de fundo de uma crise econômica que dificultava a abertura de novos restaurantes e o ingresso em empregos formais. Assim, a bicicleta entrou como alternativa ainda mais econômica quando comparada ao uso de uma vã, constando inclusive no manual de empreendedorismo do Sebrae, além de possuir um apelo diferente, sustentável, retrô e saudável. Mas será que a utilização da bicicleta como suporte para negócio de alimentação e apelo ligado ao ciclismo se conecta, realmente, a esse universo?

Entre os ciclista urbanos, que usam a bicicleta como meio de transporte, esse movimento que transforma a bicicleta numa plataforma comercial, desligando-a totalmente do seu fim de locomoção, é visto com desconfiança e pouca credibilidade. Percebendo que tais empreendedores não percebem a bicicleta como opção de transporte e que usurpam o ideário dos ciclistas, esvaziando-os de conteúdo.

Em contrapartida às denominadas food bikes, vemos o despertar de ciclo negócios que, de fato, percebem o papel transformador da bicicleta nas cidades. São negócios que envolvem, por exemplo, o transporte de correspondência e de cargas, comprovando a eficiência da bicicleta diante de outros meios, como caminhão, automóvel ou moto, além de food bikes autênticas, ou seja, quando o vendedor é um ciclista e utiliza a bicicleta para se locomover e vender seus alimentos. Nesses exemplos, a bicicleta se relaciona diretamente com o negócio numa simbiose e não na usurpação de suas singularidades para a mera comercialização de produtos. Utilizar-se do apelo sustentável da bicicleta e transportar o food bike no reboque de um automóvel, convenhamos, é uma grande contradição!

No Brasil, há muito existe a figura da bicicleta do lanche, do amolador de facas e de outros negócios e profissionais que utilizam a bicicleta como plataforma de ação e locomoção. Esses ciclistas circulam diariamente nas ruas das cidades brasileiras. Invisíveis para muitos, eles não possuem logotipos atrativos nem pinturas personalizadas, mas atendem um comércio popular e desenvolvem, de fato, um negócio com os apelos relacionados à bicicleta, transitam pelas ruas e dialogam com os atores do trânsito nas cidades. A série #temciclistanarua já mostrou as histórias de Jorge Belarmino e de Flávio da Silva, que usam suas bicicletas nesse sentido.

Não pretendo, neste artigo, desestimular o uso da bicicleta como plataforma de negócios. Pelo contrário, pretendo incentivá-lo, mas em seu papel transformador e conectado com os ideais que se relacionam à bicicleta: liberdade, sustentabilidade, saúde, simplicidade etc. Um negócio que se conecte verdadeiramente com o espaço urbano, não numa simples relação comercial, mas num diálogo por uma cidade melhor.

Entregas por bicicleta

 

Pão na Bicicleta

 

Amolador de facas

 

Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas publicações

Somos um coletivo de pessoas que usa a bicicleta como meio de transporte em João Pessoa e que sonha com uma cidade mais ciclável.

Outras publicações

Acompanhe-nos no Facebook

Copyright © 2016 - Cidade Bike. Todos os direitos reservados.

To Top