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Educação e cultura

Discursos sobre a Bicicleta

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Graffite de Thayroni Arruda

“No trânsito de ideias, de carros, de pessoas, transito eu em minha bicicleta. É ela a formadora de sentidos de meu cotidiano, com ela me locomovo diariamente para o trabalho e para todos os lados.”

Quando falo que a minha bicicleta produz sentido, atento o leitor para a percepção da bicicleta que não pode mais ser vista apenas como um conjunto de peças mecânicas, com objetivo de te levar de um ponto “A” a um ponto “B”, mas daquela que se torna, com o nosso transitar cotidiano e com o conflito advindo dessa inserção em um trânsito que há alguns anos era habitado apenas por veículos motorizados, uma formadora de sentidos. A bicicleta como incomodo, libertária, pacífica, inovadora, um objeto que para alguns era, e para outros ainda é, sinônimo de pobreza, associada aos trabalhadores pobres e marginalizados, hoje invade o espaço urbano privatizado para poucos que querem transitar pela via em carros vazios, ou compartilhado por muitos que lotam os transportes coletivos.

Não podemos mais enxergar a bicicleta apenas como objeto material pois ela transcende este limite, alcançando o ideário de vida de muitos, ligando-se a eles intimamente, a seus cotidianos e vivências, suas relações com a cidade e com as pessoas. Para estas pessoas a bicicleta é um dínamo de sonhos, de perspectivas, que ao moverem o pedal geram ideais, buscas, alimentam laços interpessoais, projetos “daquela” viagem de centenas de “km” em que a bicicleta não será apenas coadjuvante, mas protagonista, figurando em mil diálogos empolgantes, alimentando experiências e expectativas. A bicicleta é colocada no centro de uma cultura que gira em seu entorno e que a tem como ideal, não fixo mas diversificado, podendo significar para alguns libertação, competição, descoberta do novo ou simplificação da vida. Todos esse sentidos convergem para a produção de um discurso que inclui a bicicleta e que alimenta a possibilidade redentora de seu uso para uma transformação social, gerando um ambiente propício para reflexões que possibilitam repensar a mobilidade urbana.

Em outro ponto de vista, estão os condutores de veículos motorizados que, em parte, contribuem para a produção de um discurso em que a bicicleta é vista como um problema, um incômodo, um atraso. Se sentindo feridos em seu direito de transitar livremente pala via, geralmente em velocidade superior à permitida, sem ter de se preocupar com um ciclista que, na sua visão, está invadindo um espaço que sempre foi seu.

Pedalando, portanto, não estamos apenas nos locomovendo, divertindo ou praticando um esporte, estamos produzindo um discurso, de transgressão aos valores impostos, que colocam a aquisição de um veículo motorizado no topo de uma lista de ideais de vida.

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