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Motorista embriagado atropela e mata ciclista em João Pessoa

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A noite desta quinta-feira (5) foi marcada por um episódio criminoso que aconteceu na BR-230, próximo ao acesso para o bairro Alto do Mateus, em João Pessoa. Um carro desgovernado, conduzido por um motorista embriagado, invadiu o acostamento e atropelou o comerciante Odirley Delgado, que estava pedalando a lazer com ciclistas do grupo conhecido como Pedal Jampa.

O ciclista atropelado ainda foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, mas não resistiu e já chegou sem vida ao hospital. Odirley tinha 34 anos e deixou esposa e filha de apenas 3 anos de idade. Amigos do ciclista atropelado farão uma manifestação nesta sexta-feira (6), a partir das 15h, com concentração na Feira de Jaguaribe (ao lado do IFPB).

Segundo testemunhas, o motorista tentou se evadir do local mas foi contido pelo grupo de ciclistas até a chegada da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele foi submetido ao teste de bafômetro e foi comprovado o alto teor alcoólico em seu organismo. O motorista foi encaminhado para a delegacia e, segundo a própria PRF, deverá responder por homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar.

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Arquivo Pessoal

Não foi acidente

O Brasil já é conhecido pela impunidade nos crimes de trânsito. Quase 25% dos casos no país são atribuídos ao consumo de álcool. Parte da sociedade parece ter se acostumado com as estatísticas e perdido a sensibilidade diante de histórias como a de Odirley.

De acordo com o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT), mais de 50 mil pessoas morrem todos os anos no país, vítimas no trânsito. O Brasil está entre os 50 países no mundo onde mais se morre no trânsito.

A falta de punição parece ser o principal agravante para que as estatísticas permaneçam tão cruéis. A própria sociedade, incluindo poder público e imprensa, age de modo equivocado ao utilizar a palavra “acidente” para se referir a episódios do tipo. Acidente é algo que acontece inesperadamente e que é impossível de ser evitado. A morte de Odirley poderia ter sido evitada apenas com o simples cumprimento da lei.

Relembre alguns casos de repercussão nacional que nortearam campanha binacional pedindo maior rigor na punição a crimes de trânsito, da qual a Massa Crítica Parahyba participou no último mês de fevereiro.

Desrespeito à Lei. Desrespeito à vida

Não seriam necessárias tantas leis – e teríamos menos crimes – se as pessoas simplesmente respeitassem o espaço do outro, a vida de quem se locomove pela cidade do modo como preferir. Mas a Lei existe e tem sido constantemente descumprida. O Código de Trânsito Brasileiro diz que veículos maiores devem cuidar dos menores, em uma sequência que prioriza do pedestres ao ciclista até chegar aos grandes automóveis. (Art. 29)

Além disso, o CTB diz que qualquer motorista, ao ultrapassar um ciclista, deve diminuir a velocidade e manter distância de 1,5 m na ultrapassagem – o descumprimento dessa determinação é considerado ameaça ao ciclista e infração gravíssima e a pena representa multa, retenção do veículo e suspensão do direito de dirigir. (Art. 170) O mesmo Código também aponta que trafegar pelo acostamento é infração gravíssima.

Enfim, a Lei 11.705, a Lei Seca, diz que motoristas embriagados podem ser presos, com pena de detenção de seis meses a um ano, ter o veículo apreendido e a suspensão da CNH. Com tantas normas, punições e alertas sobre a conduta adequada do condutor é impressionante o número de crimes envolvendo motoristas alcoolizados e imprudentes no País.

Maio amarelo

De modo irônico, a tragédia ocorrida com Odirley e sua família aconteceu em pleno mês de maio, conhecido pela campanha nacional chamada Maio Amarelo, que busca justamente chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo.

A Prefeitura Municipal de João Pessoa também aderiu à campanha e vem promovendo ações nesse sentido, mas ainda é preciso ampliar – e muito – os investimentos em educação e em fiscalização. Os investimentos nesse sentido ainda são demasiadamente tímidos e ineficazes, surtindo pouco efeito. Campanhas tímidas não conseguirão reverter estatísticas gritantes.

Não podemos simplesmente aceitar que alguém morra de maneira tão banal.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Aparecida Gomes

    10 de agosto de 2016 at 12:08

    Não existe respeito, a lei não funciona. A três meses que meu esposo foi cruelmente assassinado por esse motorista embreagado e o processo ainda se encontra na delegacia. Enquanto minha família sofre o assassino continua sua vida normal. Ele destruiu a vida de Homem de Bem. Peço que a justiça seja feita.

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