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Mobilidade urbana

A sobrevida da ciclofaixa de lazer da Epitácio Pessoa

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A notícia frustrante sobre a redução do horário da ciclofaixa de lazer que funciona aos domingos na Av. Epitácio Pessoa não foi bem recebida pelos ciclistas da cidade. A Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) divulgou que a ciclofaixa passará a funcionar somente até às 13 horas, alegando ser pequeno o fluxo de ciclistas no período da tarde.

Ainda segundo a Semob, a decisão foi tomada após uma pesquisa – realizada através de câmeras de monitoramento – que comprovou essa redução de ciclistas durante a tarde. A Prefeitura não divulgou os resultados dessa pesquisa, deixando parte da população em dúvida sobre sua real existência. Disse ainda que a mudança implicará em redução de custos, como se fosse um argumento plausível.

A notícia causou ainda mais decepção em virtude de circunstâncias recentes, onde Carlos Batinga – atual superintendente da Semob – afirmou que a bicicleta passaria a ser tratada como prioridade pela gestão. A redução do horário da ciclofaixa mostrou uma incoerência entre discurso e ação.

Desde sua inauguração, há pouco mais de 2 anos, a ciclofaixa não vem recebendo nenhum tipo de investimento, seja para melhoria dos serviços ou para ampliação da estrutura. Muito pelo contrário, cada dia ela vem se demonstrando mais frágil diante do tratamento recebido do poder público.

Em seus 29 meses de funcionamento, a ciclofaixa de lazer já foi suspensa diante dos mais variados motivos: realização de eventos nos arredores, festas, atividades eleitorais, reformas em algum ponto da cidade, desfiles cívicos etc. Até a Copa do Mundo de 2014 já serviu de justificativa para suspender a ciclofaixa por um domingo. Além disso, o instrumento já teve sua rota reduzida por outros motivos, como no final de 2013, quando a Prefeitura previu um aumento do fluxo de veículos no centro da cidade por causa do movimento comercial no fim de ano.

Ainda esse mês, a Prefeitura se comportou de maneira desrespeitosa. Após suspensão da ciclofaixa por vários domingos consecutivos em virtude do carnaval, ela não instalou a ciclofaixa no dia 14, como havia dito que faria. A Prefeitura sequer justificou o ocorrido, tornando ainda mais notório seu desrespeito com os ciclistas.

Considerando todas as suspensões da ciclofaixa de lazer até hoje, ela esteve sem funcionar por quase 10% da sua história.

Esses episódios comprovam o quanto a ciclofaixa de lazer vem se tornando vulnerável ao longo do tempo, com um funcionamento muito aquém do prometido no projeto inicial. A promessa contemplava três pontos de apoio, instalados em locais estratégicos, com serviços de enfermagem, ambulância, borracharia e apresentações culturais. Esse aparato nunca chegou a ser ofertado de forma plena e aquilo que entrou em funcionamento durou pouquíssimo tempo.

A importância da ciclofaixa de lazer

Mesmo montada apenas aos domingos sob proposta de opção de lazer aos pessoenses, a ciclofaixa traz suas contribuições para a mobilidade urbana. Ela propicia que muitas pessoas tenham seus primeiros contatos com os espaços urbanos da cidade sobre uma bicicleta. Com o tempo, essa experiência pode resultar em mudança de hábito de muita gente, passando a fazer com que mais pessoas adotem a bicicleta como meio de transporte durante a semana.

Portanto, a importância da ciclofaixa de lazer de João Pessoa vai muito além do lazer.

A ciclofaixa tem a capacidade de inserir a bicicleta na paisagem urbana, fundamental para começarmos a construir uma relação mais amigável com outros agentes do trânsito, como os motoristas. Ela também é um espaço amplamente democrático: não precisa pagar para pedalar e pode ser frequentada por pessoas de diferentes classes sociais, bairros e idades.

Se tratada com respeito e prioridade, a ciclofaixa de lazer poderá ser um ponto de partida para mudar a mentalidade dos pessoenses com relação à bicicleta, semeando uma ideia que poderá render bons frutos para a cidade num futuro próximo.

É lamentável que a escolha esteja sendo reduzir custos com relação à ciclofaixa, apontando um retrocesso. A ciclofaixa de lazer precisa exatamente do contrário: investimento. Ela precisa ser ampliada para outras regiões da cidade e tratada com mais respeito pelo poder público.

5 Comentários

5 Comentários

  1. Fred Carvalho

    24 de fevereiro de 2016 at 10:06

    Excelente reflexão, a cidade precisa ser vista e vivida fora de um carro.

    A ciclofaixa deveria no mínimo ir até Jaguaribe.

    • Caio Henrique

      24 de fevereiro de 2016 at 11:58

      Perfeito, Fred. Ela precisa ser ampliada, fortalecida. Obrigado pelo comentário.

  2. Edu Araujo

    24 de fevereiro de 2016 at 13:50

    Muito boa a reflexão sobre a ciclofaixa de lazer.

    O impressionante que alem da falta de investimento, tudo eh motivo também para interromper, sob alegação de qualquer evento que esteja acontecendo na cidade, mesmo que seja a 300 km da epitácio pessoa.
    A prefeitura nunca é transparente e o discurso é falaz.

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